Taquaril – BH se articula para criação de Ponto de Memória

Moradores discutem a importância do museu para a comunidade
Identidade, território, pertencimento, conquista, história, memória e museu foram alguns dos assuntos discutidos nas oficinas do seminário realizado pelas lideranças do bairro Taquaril, em Belo Horizonte, no último sábado (20), para criação do Ponto de Memória Museu do Taquaril.

O evento, realizado na Escola Municipal Alcida Torres, reuniu cerca de 60 pessoas, dentre representantes de associações, ONG’s, grupos culturais, idosos, estudantes, universitários, profissionais das áreas da saúde e educação e da equipe do projeto Pontos de Memória, do Instituto Brasileiro de Museus – Ibram. A abertura contou com a apresentação dos grupos de dança afro Calanga e de percussão Alto Batuque, que se apresentaram no último carnaval na Colômbia e oferecem aulas gratuitas aos moradores do bairro.

Na mesa de abertura, a presidente da ONG Cem por cento Taquaril, Maria Thereza de Oliveira, disse ser um desejo da comunidade a criação do Ponto de Memória. “O museu será um espaço de relação dos moradores com o bairro. Temos os idosos com a história e o jovens com a crítica. E nossa história de participação é forte, somos incubadores de projetos sociais.”

Em seguida, o rapper e líder comunitário Wdois enfatizou a satisfação em participar de uma proposta criada a partir da comunidade e a favor da identidade local. “Estamos aqui para garantir e fiscalizar que este projeto não será apropriado e manipulado por partidos políticos. Com o museu, teremos a capacidade de construir um bairro melhor. A identidade do Taquaril precisa ser mostrada na comunidade, porque a mídia não sabe expressar nossa realidade.”

A coordenadora de Museologia Social e Educação do Ibram, Marcelle Pereira, falou sobre a proposta do Instituto voltada às comunidades por meio do projeto Pontos de Memória. “Estamos trabalhando para que os museus cheguem às comunidades e sejam por elas apropriados. E é por isso que são vocês que decidirão como será este museu.”

Na ocasião, a socióloga e líder comunitária Leila Regina da Silva lembrou da história do bairro marcada pela discriminação e luta pela conquista de território. “O Taquaril era considerado o lugar que tinha tudo de ruim e, por isso, os moradores carregavam esse estigma. Hoje estamos dando outra dimensão para a comunidade. Nossa identidade é marcada pela conquista do espaço. A luta é nosso patrimônio e deve fazer parte de nosso museu”.

Uma das ideias sugeridas para o museu é a criação de um acervo digital a partir do registro das histórias dos moradores. Segundo a museóloga Hélvia Vorcara, que tem apoiado a proposta, “Também seria interessante que o museu abrigasse uma escola de fotografia e cinema, para formação de jovens, e um ateliê de conservação de acervos, com a produção de embalagens de arquivos, para fornecer às bibliotecas e museus da cidade”.

A partir de seis reuniões, a comunidade já está articulando um terreno para construção do museu e pensando em organizar um “chá de museu”, para aquisição de acervo.

Ao final do seminário, houve a eleição dos membros do conselho deliberativo que dará andamento ao projeto de criação doPonto de Memória Museu do Taquaril.

Taquaril - Com 25 anos de existência, o bairro é considerado a maior periferia de Belo Horizonte, fazendo fronteira com o município de Sabará. Sua formação é marcada por lutas pela moradia e pelo engajamento da população em movimentos sociais. O bairro agrega muitos trabalhadores, associações, ONGs e grupos culturais.

Pontos de Memória – O projeto tem como objetivo apoiar a criação de museus comunitários, orientando e mobilizando as comunidades no sentido de apóias-las na valorização e proteção da memória social e coletiva a partir de seus moradores, suas origens, histórias e valores. A expectativa é de que a iniciativa se transforme numa referência para a comunidade e num ponto de dinamização das atividades culturais e socioeducativas locais. A iniciativa é resultado de parceria entre os Programas Mais Cultura, do Ministério da Cultura, através do Ibram, e do Pronasci, do Ministério da Justiça, com apoio da Organização dos Estados Ibero-americanos – OEI.

Mais informações com Sara Couto, Pontos de Memória – Departamento de Processos Museais – Ibram, no (61) 2024 6211

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