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Comunidade de Taquaril – BH vai criar Museu

Moradores do bairro de Taquaril, em Belo Horizonte, vão realizar neste sábado, 20 de fevereiro, o Seminário de Apresentação e Criação do Ponto de Memória Museu do Taquaril, com a participação de lideranças comunitárias, autoridades e representantes do Programa Pontos de Memória. O evento vai ocorrer das 13h30 às 18h30, na Escola Municipal Professora Alcidas Torres (Rua Alvares Fernandes, 186, Bairro Taquaril, Belo Horizonte-MG.

O Museu do Taquaril tem como meta agregar e fortalecer a cultura local, através da preservação e valorização da memória e cultura de seus moradores. De acordo com a coordenadora do projeto, a muséologa Hélvia Vorcara, uma das ideias para o museu é a criação de uma vídeo-cabine, onde serão registradas histórias de moradores da comunidade para a criação de um acervo digital. “Também pretendemos abrigar no museu uma escola de fotografia e cinema, para formação de jovens, e ainda um ateliê de conservação de acervos, com a produção de embalagens arquivísticas, para fornecer às bibliotecas e museus da cidade”, diz.

Após seis reuniões, a comunidade já conseguiu um lote no Taquaril para a construção do ponto de memória, contratou um arquiteto e também vai organizar um “chá de museu”, para aquisição de acervo.

Além da apresentação do projeto à comunidade, durante o evento haverá eleição de um conselho e oficinas sobre os temas Memória e Identidade; Território e Pertencimento; e Museologia Social.

Pontos de Memória – O Museu de Taquaril integra o Programa Pontos de Memória, que tem como objetivo apoiar a criação de museus comunitários em regiões metropolitanas do país, orientando e mobilizando as comunidades no sentido de apóiá-las na proteção e potencialização da memória social e coletiva a partir de seus moradores, suas origens, histórias e valores. A expectativa é de que a iniciativa se transforme numa referência para a comunidade e num ponto de dinamização das atividades culturais e socioeducativas locais.
O Programa é resultado da parceria entre os Programas Mais Cultura, do Ministério da Cultura, através do Ibram, e do Pronasci, do Ministério da Justiça, com apoio da Organização dos Estados Ibero-americanos – OEI.

Taquaril – O Conjunto Taquaril está localizado na região leste de Belo Horizonte e faz divisa com o município de Sabará. A ocupação do local teve início em 1981, numa área que pertencia a CODEURB – Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado de Minas Gerais e parcelada em sítios. A população é de 7,7 mil pessoas. Atualmente, projetos, movimentos e grupos culturais vêm promovendo uma efervescência local e conquistando a comunidade, tais como o grupo Juventude Hip Hop, que promove o Nós do Morro: A cultura da massa brasileira, um evento que tem como objetivo reunir manifestações artísticas da comunidade, numa mostra de música e dança voltada a toda a cidade.

Chá de Museu na Rocinha mobiliza comunidade

Movimento pró-museu cresce entre moradores
Latas d’água que remetem ao tempo em que era preciso percorrer quilômetros a pé para matar a sede, modelos de brinquedos que passaram de geração para geração, como pipas e carrinhos de rolimã, maquete do modelo de barraco de pau a pique, predominante nos anos 40, apresentação de rodas de capoeira, que fazem reverência às raízes afro-brasileiras, relatos de moradores que vivenciaram toda formação e transformação de uma das maiores favela do país, que reúne cerca de 56 mil habitantes. Um movimento a favor da memória e do resgate da história da Rocinha, na cidade do Rio de Janeiro, vem crescendo. No último sábado (30) a comunidade realizou um ato inaugural – o primeiro Chá de Museu, com a participação de lideranças comunitárias, moradores e de representantes do Departamento de Processos Museais do Instituto Brasileiro de Museus (DPMUS – IBRAM).

A ideia de criar o Museu da Memória e História da Rocinha Sankofa vem sendo discutida desde 2007, entre agentes culturais, educadores, militantes sociais locais e técnicos do Ibram. Desde então, O ponto de cultura Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha e o Fórum Cultural da Rocinha têm mobilizado a comunidade com o levantamento da memória e história local, realizando entrevistas e coletas de material para composição do acervo.

Também está em andamento a favor do museu a organização do acervo produzido entre 1974 e 1986, que constitui o livro Varal de Lembranças.

Morador da Rocinha desde os dois anos, Robson Pacífico, 43, artista plástico, músico e ativista cultural, diz que a necessidade de se criar um museu é antiga porque a comunidade de certa forma não se conhece e desconhece sua história. “A Rocinha sofreu muitas mudanças que não foram registradas. Há muitas pessoas novas aqui e muitas antigas também. O movimento pró-museu está se solidificando a cada dia”.

Para Antônio Carlos firmino, 43, morador da Rocinha há 16 anos, professor de Geografia e um dos responsáveis pelo projeto do museu na comunidade, diz que o Museu da Rocinha se concretizou a partir do momento em que saiu do campo das idéias para o das ações . “Desde o momento em que começamos a fazer circular o acervo para que a comunidade se veja nesse museu, ele vem ganhando forma. Mas os moradores também estão ansiosos em saber sobre o espaço físico deste museu.”

Outro projeto em gestação na comunidade é a elaboração de um conjunto de painéis de grafite realizado por grafiteiros da Rocinha e de outras comunidades do Brasil, com p objetivo de contar a história de ocupação e desenvolvimento do território da favela. O projeto deve ser lançado ainda no primeiro semestre de 2010, com o apoio do Ibram.

Segundo o diretor do Departamento de Processos Museais do Ibram, Mário Chagas, a história da Rocinha acompanha o próprio desenvolvimento da história do Rio de Janeiro e é uma referência importante na cidade. “A comunidade reúne imigrantes nordestinos, mineiros e de outros estados e regiões do país. Vale ressaltar que a história da Gávea em torno da qual a Rocinha se desenvolve foi palco das famosas corridas automobilísticas no tempo das baratinhas, nos anos 40 e 50, em que teve como corredor de destaque Chico Landi. Tudo isso faz parte da memória da Rocinha e da memória da cidade e deve estar presente no museu”.

O museu comunitário na Rocinha pretende ser uma ferramenta de inclusão da comunidade, apresentando ao conjunto da população suas narrativas sobre quem são seus moradores, suas trajetórias de vida e como enxergam a cidade como um todo. De acordo com Firmino, o museu vai se pautar principalmente no direito dos moradores ao território. “ A Rocinha só existe porque as pessoas se organizaram, lutaram pelo direto à terra, liberdade e moradia. Muitos que vieram do Nordeste contam que a Rocinha parecia um quilombo.”

Por que Museu Sankofa ? Sankofa é uma Palavra Akan das nações africanas de Ghana e da Costa do Marfim que significa “devemos olhar para trás e recuperar nosso passado para podermos nos mover para frente; e assim compreendermos o porquê e como viemos a ser quem somos hoje”. Uma das formas de representação do museu baseia-se na imagem de um pássaro mítico que está com os pés plantados firmemente para frente e com a cabeça olhando para trás, como certo guia para planejar o futuro.

MuF promove segunda visita a território museal

Visitantes percorrem roteiros vivos, com apresentação de Rap, capoeira, break, coral, samba e relatos de memórias da comunidade

Cerca de 30 visitantes, de crianças a estudantes e estrangeiros, tiveram a oportunidade de conhecer no último sábado (30) as memórias e expressões artísticas dos morros Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, na cidade do Rio de Janeiro, percorrendo a ONG Museu de Favela – MuF , um museu a céu aberto que busca agregar e fortalecer a cultura local, através do resgate da memória e cultura de seus moradores e que integra o projeto Pontos de Memória, coordenado pelo Departamento de Processos Museais do Instituto Brasileiro de Museus (DPMUS-IBRAM).

Durante a concentração, os visitantes assistiram a um vídeo sobre a criação do museu e foram brindados com a apresentação de Rap do presidente do museu, ACME. De cima de uma laje, usando a música como instrumento de conscientização, o também grafiteiro e sócio-fundador e articulador do MuF deixou a mensagem da visão do museu – agregar a cultura , a história e toda a riqueza de idéias do morro. “O MuF quer encorajar essa galera a botar a cara e elevar a alma desse território museal de favela.”

Jefferson Lessa, morador de Ipanema, diz participar pela segunda vez da visita-guiada ao MuF. Para ele, esta é a oportunidade de conhecer outros ângulos e realidades da cidade que parecem ocultos. “A iniciativa é uma forma de a comunidade abrir suas portas para quem não a conhece, tanto para os moradores do Rio quanto para os turistas.”

A visitação, cujos roteiros foram elaborados a partir de pesquisas realizadas com a própria comunidade, foi dividida em dois percursos: Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, com duração de duas horas e meia e guias da própria comunidade. O grupo do Pavão-Pavãozinho passou pela estação do bondinho, inaugurado em meados de 80 no Governo Brizola , seguiu para Casa da Antônia, liderança do morro – o local funciona como uma lojinha da Rede MUF de artesãs e como a parada do chá medicinal. O percurso também passou pelo Bar do Dorico, localizado em um largo que é uma grande encruzilhada , utilizado como palco de apresentações culturais e como uma espécie de teatro de arena, pela laje da Valdete , que contempla uma vista privilegiada de Copacabana, com direito a sucos de diversos sabores, batida, água e refrigerante. Na volta, os visitantes conheceram a primeira igrejinha do morro e assistiram à apresentação da bateria mirim da comunidade.

Já no trajeto Cantagalo, os guias conduziram os visitantes a pontos históricos, tais como a rua homônima a Haroldo Santos, um dos grandes ícones do samba carioca, a Casa do Adão Dãxalebaradã, que foi pai de santo e compositor de mais de 500 músicas sobre cultura afro-brasileira. Passaram pelo Forte – que funcionava como posto de radar e controle de tráfego de navios do exército no Forte de Copacabana. O percurso também contou com apresentação de uma roda de capoeira, do coral infantil Harmonicanto e de um grupo de break. Ao final, os visitantes ainda puderam conhecer e comprar os trabalhos artesanais e artísticos produzidos pelos moradores.

O MuF, formado há dois anos por uma rede de parceiros, pode ser considerado o atual guarda-chuva cultural dos morros Pavão-Pavãozinho e Cantagalo – que reúne cerca de 20 mil moradores.

Moradora do Cantagalo há três anos, a MC Isabel Cristina, também conhecida como Bebel do Gueto, diz que está vendo muitas mudanças positivas desde a atuação do museu. “O MuF tem mostrado novas oportunidades para a garotada, por meio da cultura e da arte, e também tem despertado nos visitantes um olhar bem diferente da favela do que é passado lá fora.”

O italiano João Michel, professor de línguas, que está morando no Cantagalo há duas semanas, diz ter se surpreendido com a energia da comunidade. “As pessoas são vivas e calorosas, me sinto muito bem aqui.”

Já Lúcio, instrutor de break e professor no Afro-Reggae, acredita que através da arte os moradores da comunidade estão se tornando referências. “Estamos fazendo história. O MuF é fundamental porque é vivo, assim como nossa dança. Sou da favela e me considero feliz. Daqui vejo o horizonte”.

Para Ana Claudia, professora de eco-artesanato do MuF, o resgate da história da comunidade está acontecendo. “Moro aqui há 11 anos e eu não conhecia a própria comunidade.Agora, quando passo pelos becos hoje, tenho um outro olhar, uma outra visão e, como gosto muito de criar, já começo a viajar nas coisas que podem acontecer no futuro.

Segundo o diretor do DPMUS – Ibram, Mário Chagas, que vem acompanhando todo o processo de atuação do museu, o MuF se insere com destaque importante na paisagem cultural da cidade do Rio de Janeiro. “O museu tem, ele mesmo, um olhar especial para a paisagem da cidade. Um diálogo entre montanhas e a cidade realizado a partir da ocupação humana. O DPMUS apóia e viabiliza no Brasil inteiro um conjunto de iniciativas comunitárias, que denominamos de museus sociais ou pontos de memória. O MuF, desde o primeiro momento, vem recebendo este apoio.”

Ao final da visita, os visitantes foram convidados a preencher um formulário de avaliação, que servirá para o aperfeiçoamento da atuação do museu.

Pontos de Memória – O projeto tem como objetivo apoiar a criação de museus comunitários em regiões metropolitanas do país, orientando e mobilizando as comunidades no sentido de apóias-las na reconstrução e proteção da memória social e coletiva a partir de seus moradores, suas origens, histórias e valores. . A expectativa é de que a iniciativa se transforme numa referência para a comunidade e num ponto de dinamização das atividades culturais e socioeducativas locais. A iniciativa é resultado de parceria entre os Programas Mais Cultura, do Ministério da Cultura, através do Ibram, e do Pronasci, do Ministério da Justiça, com apoio da Organização dos Estados Ibero-americanos – OEI.

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