Página 8 de 9« Primeira...56789

Cidade Estrutural (DF) comemora lançamento de Ponto de Memória

A pipa, sempre presente nas brincadeiras das crianças e no céu da Estrutural, o diário oficial que garantiu, em 2008, o direito à moradia de sete mil moradores que viviam há uma década na localidade, a barricada de pneus, que fechava as principais vias durante as reivindicações por infraestrutura e o tambor d’água, utilizado quando a comunidade era abastecida por um caminhão-pipa, que às vezes ficava até três dias sem aparecer. 

Essas são algumas das memórias representadas na Exposição Movimentos da Estrutural: Luta, resistência e conquista, inaugurada no último sábado, 21 de maio, durante o lançamento do Ponto de Memória da Estrutural,  cujo objetivo principal é fortalecer a história local contada por seus próprios moradores, a partir da memória de luta e do cotidiano da cidade.

O lançamento, que reuniu cerca de 60 pessoas, dentre crianças, jovens e adultos, também contou com a presença do presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC), José do Nascimento Junior, do secretário de Cultura do Governo do Distrito Federal (GDF), Hamilton da Silva, da representante da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) Cláudia Casto, da líder comunitária e moradora da Estrutural há 17 anos Maria Abadia Teixeira e do representante da área da Cultura da Administração da cidade Reginaldo Araújo. 

Na ocasião, o presidente do Ibram/MinC falou da importância da memória para construção de futuros. “A memória não é para nos fixar no passado reacionário, é para nos impulsionar para o futuro e fortalecer as relações sociais. As experiências dos pontos de memória nos fazem repensar os processos museológicos imexíveis”.

Maria Abadia Teixeira enfatizou o papel agregador do ponto de memória e convidou os moradores a se apropriarem do projeto. “Iniciamos o trabalho, mas é importante que todos participem, para construirmos conjuntamente uma memória forte, que represente nossa comunidade”.

O morador e representante da Administração da Estrutural chamou atenção para a importância da cidade conseguir dar visibilidade às ações positivas. “A imprensa sensacionalista só mostra aspectos negativos. Temos de mostrar que somos pessoas dignas, que sonham por um mundo melhor e que a nossa luta nasceu da luta de muitos joões, marias e josés”, diz Reginaldo.

A programação, que integrou a 9ª Semana Nacional de Museus, também contou com um Museu Cortejo. Conduzido pelo grupo de intervenção artística Galpão do Riso – Nutra Teatro, a marcha encheu de alegria e magia as ruas da Estrutural, ao som de canções entoadas por pífano, pratos e tambor, anunciando o Ponto de Memória da Estrutural como mais uma conquista da cidade.

Pontos de Memória – A Estrutural, que reúne cerca de 40 mil habitantes, é uma das 12 comunidades do País apoiada pelo Programa Pontos de Memória, na reconstrução e fortalecimento da memória social, a partir do cidadão e de suas origens, histórias e valores. O Programa é resultado de parceria do Ibram/MinC, com os Programas Mais Cultura e Cultura Viva, do Ministério da Cultura, o Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), do Ministério da Justiça, e a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI).

Exposição Movimentos da Estrutural: Luta, resistência e conquista

Local: Casa dos Movimentos (Quadra 9, Conj. E, Lote 21 – Estrutural- DF)

Data: até 21 de julho

Horário de visitação: Segundas, quartas e sextas, das 8h às 11h e das 14h às 17h.   

Pontos de Memória participam da 9ª Semana Nacional de Museus

Os Pontos de Memória da Estrutural (Distrito Federal/DF), Terra Firme (Belém/PA), Museu Comunitário Lomba do Pinheiro (Porto Alegre/RS), Museu de Favela e Museu da Maré (ambos do Rio de Janeiro/RJ) participam da 9ª Semana Nacional de Museus, que acontecerá entre os dias 16 e 22 de maio. Os Pontos integram as 1.006 instituições que, com o tema Museu e Memória, promoverão cerca de 3 mil eventos em mais de 500 cidades de todo o país durante a Semana.

A Semana Nacional de Museus acontece anualmente em celebração ao Dia Internacional dos Museus, 18 de maio, e no Brasil é promovida pelo Ibram. Confira a programação dos Pontos de Memória na Semana:

  •  Ponto de Memória de Terra Firme: realiza a primeira gincana de história e memória do bairro, do dia 16 a 20 de maio. Voltada especialmente para os jovens, a competição está dividida em cinco provas relacionadas à memória local.
  •  Ponto de Memória da Estrutural: lança sua primeira exposição no dia 21 de maio. A mostra Movimentos da Estrutural, cujos suportes são elaborados a partir de objetos reciclados do Lixão, pretende retratar a memória das estratégias de luta dos moradores. 
  •  Museu Comunitário Lomba do Pinheiro: realiza a exposição Saber Popular: Ervas, Rezas e Benzeduras: Alternativas de saúde.
  •  Museu de Favela: inaugura, no dia 22 de maio, o circuito Casas-Telas no Pavão-Pavãozinho. O projeto, que começou no morro do Cantagalo (na foto acima), em 2009, retrata em grafite, nos muros e fachadas de casas do morro, um circuito que conta a história da favela.
  •  Museu da Maré: terá agenda diversificada, com apresentação de contos e lendas locais por moradores, oficina de leitura e a exposição Museu da Maré, que narra a história de resistência da comunidade. Também haverá um “chá de memória”, reunindo moradores que construíram a identidade e a memória da Maré.

 Veja a programação completa da 9ª Semana em www.museus.gov.br

Energia nuclear é tema de programação no Museu da Maré

Até 2 de julho, o Museu da Maré, no Rio de Janeiro, oferece uma agenda diversificada sobre o tema energia nuclear.  Voltada especialmente para o público escolar, o objetivo é estimular crianças e jovens a refletirem, na teoria e na prática, sobre a relação entre o homem e natureza mediada pela tecnologia.

Além de exposição temática, a programação prevê mostra de vídeos, oficinas, jogos e contação de histórias em quadrinhos de personagens que se relacionam com o tema, como Capitão Átomo, Hulk, Homem Aranha, Tartaruga Ninja e Formiga atômica.

Para os professores, será oferecido, no dia 15 de abril, às 14h, o curso átomo e suas histórias, ministrado pela especialista  da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Márcia Pereira. O evento é resultado de parceria do Museu da Maré com a Casa de Ciências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEM).

Mais informações no (21) 3868 6748, museudamare@ceasm.org.br ou no www.museudamare.org.br.  O Museu da Maré fica na Av. Guilherme Maxwell, 26, Maré, Rio de Janeiro (RJ). Funciona de terça a sábado, das 9h às 18h, e a entrada é franca.

Comunidade do Coque vai criar Museu do Mangue

Moradores do Coque, em Recife, estão se articulando para criar o Museu do Mangue, que será gerido e representado pela própria comunidade. O bairro é uma das 12 localidades do país que vem sendo apoiada do Instituto Brasileiro de Museus – Ibram/Ministério da Cultura, por meio do Programa Pontos de Memória, para trabalhar a memória local como ferramenta de valorização da identidade e como forma de revelar os aspectos positivos do bairro.
Como parte das etapas para consolidação do Ponto de Memória do Coque, nesta segunda e terça-feira, 21 e 22 de junho, às 19h, representantes do Ibram vão ministrar a oficina Museu, Memória e Cidadania, a primeira dentre outras que serão oferecidas para o conselho gestor do museu. A oficina acontecerá na Escola Novo Mangue (Av. Central, s/nº, Coque – Recife –PE).

Segundo o morador e um dos articuladores da iniciativa no Coque, Rildo Fernandes, o local onde mora é um ponto turístico que precisa ser revitalizado e ter a sua história contada. “Acredito que com o Museu do Mangue do Coque esse quadro vai mudar para o homem-caranguejo”, enfatiza.

Coque – É uma comunidade localizada na Ilha de Joana Bezerra, próximo a áreas ricas, como o bairro de Boa Viagem e o pólo médico da Ilha do Leite. Seus moradores sofrem o estigma de viverem em um lugar “perigoso”, de “gente violenta”. Dentre outros aspectos, a história do Coque é marcada pela relacão com o mangue e a luta pela terra.

Pontos de Memória: – Pautado na gestão participativa e no protagonismo comunitário, o Programa Pontos de Memória trabalha com o empoderamento social daqueles grupos que ainda não tiveram a oportunidade de contar suas histórias e memórias através dos museus, incentivando a apropriação desse equipamento pelas comunidades, de forma que se sintam representadas. É resultado de parceria do Ibram/MinC, com o Programa Mais Cultura e Cultura Viva, do Ministério da Cultura, Programa Nacional de Segurança com Cidadania – Pronasci, do Ministério da Justiça,e com a Organização dos Estados Ibero-americanos – OEI.

Direito à memória: Moradores da Brasilândia vão criar museu comunitário

Seminário pró-museu acontece neste sábado, 12 de junho, na Associação Cantareira

Brasilândia, distrito situado na zona noroeste da cidade São Paulo, com cerca de 220 mil habitantes, próximo a serra da Cantareira, é uma das 12 localidades do país que vem sendo apoiada pelo Instituto Brasileiro de Museus – Ibram/Ministério da Cultura, por meio do Programa Pontos de Mémoria, para a criação de um museu comunitário. Neste sábado, 12 de junho, será realizado um seminário ampliado para toda a comunidade. O evento reunirá lideranças comunitárias das vilas que compõem a região e representantes do Ibram/MinC, na Associação Cantareira (Rua Jorge Pires Ramalho, 71 – Vila Isabel, Brasilândia), das 9 às 15h.

O Ponto de Memória da Brasílândia participará, junto aos dos demais  Pontos de Memória do país,  do 8ª Fórum Nacional de Museus, que acontece em Brasília de 12 a 17 de julho, com uma exposição dos acervos que vêm sendo levantados pelos moradores.

Brasilândia -  A região  é resultado do desmembramento de inúmeros sítios e chácaras existentes nas primeiras décadas deste século. Em um destes sítios viveu o Sr. Brasilio Simões, cultivador de cana-de-açúcar e fabricante da Caninha do Ó, conhecida aguardente da época. Com o desenvolvimento do país e de São Paulo, a região também sofreu modificações. Os sítios foram desmembrados em pequenas vilas e grande parte foi adquirida por diversas companhias loteadoras.

Com as reformas urbanas no centro da cidade, ocorreu o êxodo dos proletários em direção à periferia. Fugindo dos altos aluguéis, esses moradores passaram a adquirir lotes residenciais na iniciante Brasilândia. Somavam-se ainda à região famílias vindas do interior, em busca de melhores condições de vida.

Atualmente é rodeada pelos bairros da Vila Penteado, Jardim Guarani, entre outros, e faz limite com a Freguesi do Ó, além de estar próxima a Serra da Cantareira. A região reúne dezenas  de  movimentos sociais e culturais.

Pontos de Memória: Pautado na gestão participativa e no protagonismo comunitário, o programa vem apoiando, além São Paulo – SP, a consolidação de museus comunitários nas cidades de Belém – PA , Belo Horizonte – MG, Brasília – DF, Curitiba – PR, Fortaleza – CE, Maceió – AL, Porto Alegre – RS, Recife – PE, Rio de Janeiro, Salvador – BA.

A iniciativa trabalha a favor do empoderamento social daqueles grupos que ainda não tiveram a oportunidade de contar suas histórias e memórias através dos museus, incentivando a apropriação desse equipamento pelas comunidades, de forma que se sintam representadas.

É resultado de parceria do Ibram com o Programa Mais Cultura e Cultura Viva, do Ministério da Cultura, com o Programa Nacional de Segurança com Cidadania – Pronasci, do Ministério da Justiça, e com a Organização dos Estados Ibero-americanos – OEI.

Mais informações com Sara Schuabb no (61) 2024 6211/ 9977 2067/ Programa Pontos de Memória/Instituto Brasileiro de Museus – Ibram.

Museu da Maré comemora 4º ano com Caravanas Euclidianas

Em comemoração ao seu quarto ano de existência, o Museu da Maré, no Rio de Janeiro, receberá nesta sexta e sábado, 7 e 8 de maio, as Caravanas Euclidianas, uma itinerância realizada em diversas regiões do Estado do Rio de Janeiro, que tem o propósito de contribuir para a inclusão educacional apresentando e difundindo a obra deste que é considerado um dos maiores autores da literatura brasileira.
A programação desta  sexta (7), começa às 18h30,   com a exibição do filme A Paz é Dourada, de Noilton Nunes, sobre a vida e obra de Euclides da Cunha. Às 20h , a noite será animada com  Roda de Samba, com participação  especial de  Edeor de Paulo, compositor do samba-enredo “ Os Sertões”, estandarte de ouro de 1976 – considerado um dos mais belos de todos os tempos. Já no sábado (8), das 10h às 16, serão oferecidas oficinas de literatura e áudio-visual sobre o autor.
Segundo Noiton Nunes, “ Euclides da Cunha era um visionário. Além de sua importância para a literatura brasileira, é considerado um dos primeiros ecologistas a chamar a atenção, ainda no final do séc. XIX,  para as devastações que começaram a ocorrer no Estado do Rio de Janeiro com a chegada das fábricas e transportes modernos.”
O Museu da Maré fica na Av. Guilherme Maxwell, 26 – Maré,  Passarela 7 da Av. Brasil, Rio de Janeiro – RJ. Mais informações:  (21) 3868 6748.

Moradores do Beiru discutem importância do museu e criam conselho

Falar de Beiru não é apenas falar da história de um grande líder negro e de um bairro com cerca de 200 mil habitantes de Salvador, mas também é falar diretamente da história de vida de cada morador. Foi o que mostrou o seminário realizado no Centro de Integração Familiar – Ceifar, em Beiru, Salvador – BA, no sábado (24), com a participação de 20 representantes da comunidade, para criação do conselho gestor do Ponto de Memória Museu do Beiru.

O encontro foi acalorado, porque não há como falar de memórias sem tocar em feridas e porque museu, além de ser espaço de investigação, preservação e comunicação, também é lugar de discussão, embates e resolução de conflitos da comunidade. Morador do bairro há 32 anos, Roberto dos Santos Freitas, pesquisador da cultura afro-brasileira, presidente da Associação Cultural Comunitária e Carnavalesca Mundo Negro e da Associação dos blocos afros da Bahia, disse que sua militância sempre foi por melhorias para a comunidade negra e que uma das suas grandes lutas é para que não deixem apagar a memória de Beiru. Para ele, o museu ajudará a mostrar a importante histórica deste líder para a identidade do bairro.

“O sangue corre na minha veia quando ouço falar em Beiru. É preciso resgatar a memória de nossa história afro-brasileira. Não podemos deixar que o nome de um dos primeiros donos das terras seja trocado por Tancredo Neves. Em nossa comunidade há pessoas de outros estados da Bahia, já são poucos os nativos. E o povo chega e fala que mora em Tancredo Neves porque acha o nome bonito.”

Roberto contou que a Associação Mundo Negro se uniu a  outras entidades por toda essa luta e vem divulgando em escolas uma cartilha sobre a história de Beiru ,  organizando  anualmente a Marcha do Beiru, o Campeonato de Liga Esportiva do Beiru. Segundo ele, também pretendem criar a rádio comunitária “A voz do Beiru” e conseguir um a estátua junto ao IBRAM em homenagem ao líder negro em novembro deste ano, mês da consciência negra.

Na ocasião, a professora e militante de direitos humanos e sociais Norma Ribeiro disse que é inadmissível se referir ao bairro como Tancredo Neves. “Beiru não pode ficar a sombra em um momento político nacional de mudança da história. Não podemos deixar que adversários se apropriem de nossa memória, do museu. Não podemos esquecer do massacre cometido pela Igreja Católica contra o nosso  povo negro, das igrejas que foram construídas em cima dos terreiros de Candomblé, dos sangues que foram derramados. É preciso ter um discurso único neste momento a favor do Beiru.”

Hilário de Araújo, um dos militantes da luta pela história e pelo nome do precursor africano, disse que o museu homenageará o maior líder político da região e que, a partir deste seminário, se sente dentro do processo.  “Estava me sentido traído. Mas agora, sim, me sinto participando desse museu. Agora sei que todos terão a mesma relevância para sua construção.”

A relação histórica entre os terreiros e a Igreja Católica ainda deixa marcas na comunidade, que é marcada pela diversidade religiosa. Jean Santos, pedagogo, disse que mesmo conhecendo e respeitando a história do líder negro, não pode apagar a sua história com a Igreja Católica, que foi um instituição que devolveu dignidade à sua vida. Ele também mencionou a mudança de visão sobre museu a partir do envolvimento com o projeto Pontos de Memória.  “Achava que museu era coisa de gente rica, branca. Quando ia a um museu me perguntavam onde estava a vassoura. Mas agora vejo que pode ser diferente.”

O fechamento do seminário contou com a voz e violão do músico Tom com a composição “Relíquia da Terra” e com a fala do consultor do projeto Pontos de Memória, Wélcio de Toledo, que esclareceu todas as dúvidas. Em consenso, todos perceberam um objetivo em comum: a luta pela comunidade e, agora, a luta também pelo Museu do Beiru.

Logo após foi ratificada a função de cada integrante do conselho gestor: Presidente – Norma Ribeiro; vice-presidente – Jean Santos; Conselho Fiscal – Roberto dos Santos Freitas, Maria Lúcia Santana, Jairo Augusto e Hilário Araújo. As funções de tesoureiro e secretária ficaram por definir no próximo encontro.

Beiru – Foi  um escravo da fazenda Campo Seco, conhecido por Preto Beiru, cujo nome em ioruba, sua língua nativa, se escreve GBEIRU. Em 1845, ele ganhou parte da fazenda que pertencia à família Silva Garcia. Ele pôde então formar um quilombo e tornar-se assim uma liderança negra para os escravos da fazenda, ensinando à família Silva Garcia a viver ao lado do negro sem maltratá-lo. Preto Beirú nasceu em Oió, uma cidade da Nigéria, segundo registros na escritura das terras que receu da família Silva Garcaia.

Os africanos escravizados em Salvador criaram um território próprio de resistência ao poder dos donos das fazendas, cujos limites ainda são desconhecidos.  Atualmente, a maioria dos bairros continua sendo uma área de grande concentração de negros, áreas também conhecidas como quilombos urbanos, por preservarem a herança daqueles herdeiros africanos.

Pontos de Memória – O Ibram acredita que o direito à memória precisa ser conquistado, mantido e exercido como direito de cidadania, como direito que precisa ser democratizado e comunicado entre os diferentes grupos sociais existentes no Brasil. É por esse direito e luta que está desenvolvendo o Projeto Pontos de Memória – resultado de parceria com o Programa Mais Cultura e, agora, com a Secretaria de Cidadania Cultural , do Ministério da Cultura, o Programa Nacional de Segurança com Cidadania – Pronasci, do Ministério da Justiça, e a Organização dos Estados Ibero-americanos.

O projeto vem apoiando ações de memória em comunidades de todo o Brasil. Estão em fase de consolidação 12 Pontos de Memória, situados em comunidades populares nas cidades de Belém- PA, Belo Horizonte – MG, Brasília – DF, Curitiba – PR, Fortaleza – CE, Maceió – AL, Porto Alegre – RS, Recife – PE, Rio de Janeiro, Salvador – BA, São Paulo – SP, Vitória – ES.

Também estão em desenvolvimento, com apoio do Ibram, iniciativas comunitárias a partir de realização de oficinas temáticas e consultorias técnicas a grupos envolvidos nas ações de preservação da memória local. Como exemplo de tais iniciativas, o Ecomuseu da Amazônia (Belém – PA), os Museus Sankofa da Rocinha e Vila do Horto (Rio de Janeiro – RJ) e o Museu Vivo do São Bento (Duque de Caxias – RJ).

Teia da Memória 2010: Pontos de Memória vão integrar Programa Cultura Viva

Encontro fortalece representantes dos pontos de memória das cinco regiões do país
Seguindo o Museu Cortejo, unidos e embalados por canções e marchinhas de luta e alegria, os cerca de 40 participantes da Teia da Memória – representando 16 comunidades das cinco regiões do país, finalizaram o encontro, neste domingo, dois de março, percorrendo o Dragão do Mar, em Fortaleza – CE, levantando o estandarte de um futuro promissor rumo ao desejo e direito à memória atendidos com os pontos de memória. O evento não só proporcionou o compartilhamento de ideias, anseios, desafios e definição de estratégias, como também marcou, no primeiro dia (26), a parceria que o Instituto Brasileiro de Museus – Ibram vinha articulando desde o início do projeto com a Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura – SCC /MinC , para a integração dos Pontos de Memória ao Programa Cultura Viva, assegurando mecanismos de investimentos para o desenvolvimento da iniciativa e integração aos pontos de cultura. 

De acordo com a coordenadora da SCC – MinC, Jô Brandão, a proposta do Projeto Pontos de Memória, que vem apoiando comunidades que já realizam ações de memória , merece o apoio da secretaria por seguir a mesma linha de atuação dos pontos de cultura a partir da filosofia do “do-in” antropológico, introduzida pelo ex-ministro da Cultura Gilberto Gil.

“Desde a 1ª Teia da Memória, em 2009, em Salvador, percebemos essa interação com a proposta dos Pontos de Cultura. Desde então o Projeto Pontos de Memória está no nosso colo com todo cuidado, porque sabemos da importância da memória para o fortalecimento do processo de identidade das populações que não foram oficializadas pela história. Acredito que a melhor forma de apoio seja por meio de convênio, de forma que garanta o desenvolvimento dessa iniciativa”, diz.

A coordenadora de Museologia Social e Educação do Ibram, Marcelle Pereira, enfatizou o resultado positivo da parceria. “É uma alegria para o Ibram apoiar esta iniciativa de transformação social através da memória. A integração dos pontos de memória aos pontos de cultura é um avanço, uma conquista. Saímos daqui fortalecidos e com espírito multiplicador.”

O primeiro dia de encontro também contou com a apresentação da representante da Organização dos Estados Ibero-americanos – OEI, Cláudia Castro, e com palestra de um dos sócio-fundadores do Museu da Maré, no Rio de Janeiro, Antônio Carlos Vieira, que falou sobre a experiência do museu pautada no protagonismo comunitário.

Na ocasião, Antônio Carlos Vieira, conhecido como Carlinhos da Maré, convidou os participantes a refletir sobre o poder transformador da memória. “Falar de memória é falar da vida e do tempo. Memória são experiências vividas e também pode ser a construção do que não vivemos. Como pontos de memória podemos legitimar nossa história a partir da nossa perspectiva. Com o Museu da Maré, passamos do sentimento de vergonha para o sentimento de orgulho do lugar onde vivemos.” Ele também enfatizou que não há uma receita pronta para a criação de museu. “O museu deve ser considerado um processo vivo, que muda a cada dia, de acordo com o contexto.”

No segundo dia foi apresentado o leque de propostas de oficinas a serem oferecidas pelo Ibram e, em grupo, foram elaboradas as proposições apresentadas na plenária Teia das Ações e no Fórum Nacional dos Pontos de Cultura – FNPC. As propostas passam pela integração dos Pontos de Memória ao Programa Cultura Viva, respeitando suas especificidades e necessidades, garantindo-lhes mecanismos de financiamento e desenvolvimento, à criação de um grupo temático denominado “Memória e Museus” na instância do FNPC, para propor políticas públicas para o setor.

O terceiro dia de encontro foi marcado pela palestra sobre inventário participativo do coordenador de Patrimônio Museológico do Ibram, Cícero de Almeida. Segundo ele, o inventário deve lidar com as várias forças representativas da comunidade, em harmonia, e a participação tem de pressupor a capacidade de lidar com a diferença. “A participação é o grande foco deste projeto. Durante o inventário, o grande desafio é perceber a igualdade na diferença e a diferença na igualdade. O que selecionar? Selecionar é pensar no conjunto complexo de possibilidades em conjunto com a vida.”

Para finalizar, a Roda de Memória propiciou integração entre os representantes dos pontos, que puderam contar histórias da comunidade e falar sobre suas expectativas. “As pessoas estão perdendo as memórias do bairro. Mas acredito que este momento marca o começo de uma grande história, com diversas representações da comunidade se organizando pela mesma questão. O museu vai ajudar o Sítio Cercado, que só é lembrado como lugar de violência”, disse Palmira de Oliveira, do Museu de Periferia – MUPE, do Sítio Cercado, em Curitiba.

Livaldo Degásperi apresentou a proposta do Ponto de Memória da comunidade de São Pedro, no Espírito Santo, pautada na história de luta pelo território, registrada através das Ruas da Resistência, Conquista, Luta e União.

Representando o Ponto de Memória do Horto, no Rio de Janeiro, Emília de Souza levantou o conflito que a comunidade vem enfrentando pela permanência no bairro e o papel da memória nesse combate. “Sabemos que a memória é tão importante que os inimigos querem se apropriar dela. Ela é o nosso maior instrumento. A comunidade está coesa se apropriando da idéia do Museu de Percurso Vila do Horto.”

Viviane Rodrigues, moradora do Jacintinho, em Maceió – AL, disse que a memória pode ser considerada um canal de comunicação do território. “Temos um movimento jovem e estamos trabalhando para além do resgate da memória. Para nós, a memória é passagem de conhecimentos. E é assim que falaremos do nosso território e de nossa rede”. “Saio daqui mais fortalecida, com muita vontade de trabalhar e colocar nosso museu para funcionar”, disse Deuzâni Noleto, do Ponto de Memória da Estrutural, no Distrito Federal.

Da comunidade do Coque, em Recife, Rildo Fernandes, disse que o local onde mora é um ponto turístico que precisa ser revitalizado e ter a sua história contada. “Acredito que com o Museu do Mangue do Coque esse quadro vai mudar para o homem-caranguejo. Quem não sabe nadar e dançar não pode viver no coque,” finalizou com aplauso do grupo.

Pontos de Memória – O Ibram acredita que o direito à memória precisa ser conquistado, mantido e exercido como direito de cidadania, como direito que precisa ser democratizado e comunicado entre os diferentes grupos sociais existentes no Brasil. É por esse direito e luta que está desenvolvendo o Projeto Pontos de Memória – resultado de parceria com o Programa Mais Cultura e, agora, com a Secretaria de Cidadania Cultural , do Ministério da Cultura, o Programa Nacional de Segurança com Cidadania – Pronasci, do Ministério da Justiça, e a Organização dos Estados Ibero-americanos.

O projeto vem apoiando ações de memória em comunidades de todo o Brasil. Estão em fase de consolidação 12 Pontos de Memória, situados em comunidades populares nas cidades de Belém- PA, Belo Horizonte – MG, Brasília – DF, Curitiba – PR, Fortaleza – CE, Maceió – AL, Porto Alegre – RS, Recife – PE, Rio de Janeiro, Salvador – BA, São Paulo – SP, Vitória – ES.

Também estão em desenvolvimento, com apoio do Ibram, iniciativas comunitárias a partir de realização de oficinas temáticas e consultorias técnicas e grupos envolvidos nas ações de preservação da memória local. Como exemplo de tais iniciativas, destacamos o Ecomuseu da Amazônia (Belém – PA), os Museus Sankofa da Rocinha e Vila do Horto (Rio de Janeiro – RJ) e o Museu Vivo do São Bento (Duque de Caxias – RJ).

Confira a galeria de imagens

Museu da Maré promove projeto sobre arte pública e sonora

É possível misturar arte e música? Rádio e as histórias da Maré? Pode um trabalho de arte ser pensado como tabuleiro de jogo? Quem cria as regras e quem entra no jogo? Será que a própria Maré pode ser tornar um tabuleiro, onde jogadores de muitos lugares possam jogar? O Encontro de Apresentação do Projeto Ondas Radiofônicas: Processos Colaborativos em arte pública e sonora, aconteceu nesta sexta-feira, 12 de março, às 16h, no Museu da Maré, no Rio de Janeiro.

Com o propósito de pesquisar linguagens radiofônicas , tais c/mo notícias jornalísticas, rádios-novela, paisagens sonoras e tudo o que toca e faz barulho expandindo possibilidades, o projeto nasce de vontades e indagações sobre um fazer artístico que busca a interação direta e contínua entre artista e público. Para isso, o projeto está dividido nos eixos:

Oficinas Histórias Radiofônicas – para jovens da comunidade da Maré, capacitando e discutindo sobre o meio do rádio;

Grupo de estudo arte pública – para quem quiser debater sobre o desafio das artes públicas na atualidade;

Grupo de intervenção artística “Sonoridades Urbanas” – para todos os interessados em criar e interagir no museu e imediações através do som.

Durante os próximos três meses de 2010, a oficina será realizada duas vezes por semana, nas tardes de 2ª e 4ª feira, e os grupos terão lugar alternando as noites destes dias em encontros semanais. No fim do projeto, os três eixos se encontram em uma exposição a ser montada coletivamente no museu.

O Museu da Maré fica na Av. Guilherme Maxwel, 26, Maré – Passarela 7, Rua da Escola Bahia.

Mais informações no (21) 3868 6748 e no museudamare@ceasm.com.br. Acompanhe o projeto no http://ondasradiofonicas.wordpress.com

Museu da Maré promove projeto sobre arte pública e sonora

É possível misturar arte e música? Rádio e as histórias da Maré? Pode um trabalho de arte ser pensado como tabuleiro de jogo? Quem cria as regras e quem entra no jogo? Será que a própria Maré pode ser tornar um tabuleiro, onde jogadores de muitos lugares possam jogar? O Encontro de Apresentação do Projeto Ondas Radiofônicas: Processos Colaborativos em arte pública e sonora, aconteceu nesta sexta-feira, 12 de março, às 16h, no Museu da Maré, no Rio de Janeiro.

Com o propósito de pesquisar linguagens radiofônicas , tais c/mo notícias jornalísticas, rádios-novela, paisagens sonoras e tudo o que toca e faz barulho expandindo possibilidades, o projeto nasce de vontades e indagações sobre um fazer artístico que busca a interação direta e contínua entre artista e público. Para isso, o projeto está dividido nos eixos:

Oficinas Histórias Radiofônicas – para jovens da comunidade da Maré, capacitando e discutindo sobre o meio do rádio;

Grupo de estudo arte pública – para quem quiser debater sobre o desafio das artes públicas na atualidade;

Grupo de intervenção artística “Sonoridades Urbanas” – para todos os interessados em criar e interagir no museu e imediações através do som.

Durante os próximos três meses de 2010, a oficina será realizada duas vezes por semana, nas tardes de 2ª e 4ª feira, e os grupos terão lugar alternando as noites destes dias em encontros semanais. No fim do projeto, os três eixos se encontram em uma exposição a ser montada coletivamente no museu.

O Museu da Maré fica na Av. Guilherme Maxwel, 26, Maré – Passarela 7, Rua da Escola Bahia.

Mais informações no (21) 3868 6748 e no museudamare@ceasm.com.br. Acompanhe o projeto no http://ondasradiofonicas.wordpress.com

Página 8 de 9« Primeira...56789