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Feijoada Cultural no Museu da Maré

Regada a muito samba, o Museu da Maré, no Rio de Janeiro, vai promover no dia 12 de junho, a partir das 13h, a Feijoada Cultural.  A programação conta com apresentação da cantora Paula Princi, que perpassa por todos os estilos da música brasileira, e do Ponto de Cultura O Som das Comunidades, que trabalha com a inserção cultural e econômica de crianças através da Educação Musical em comunidades.

O evento também será de inauguração da exposição do Projeto Ondas Radiofônicas – Processos colaborativos em arte públicas e sonoras, que integra a Seleção Interações Estéticas da Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura – SCC/MinC. A mostra apresentará o resultado das oficinas realizadas pelo museu com os jovens da comunidade da Maré sobre o papel e a importância do rádio.

Além da feijoada convencional, também será oferecida uma especial, de feijão e legumes, para os vegetarianos. O ingresso custa R$ 10,00 e está à venda no Museu da Maré, Bazar Três Meninas, Lan House do Papel e no Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré-CEASM, na Maré.

O Museu da Maré fica na Av. Guilherme Maxwell, 26, Maré, Passarela 7 , Rio de Janeiro – RJ. Mais informações no (21) 3868 6748 e no www.museudamare.org.br

8ª SNM: Museu Paraense Emílio Goeldi promove seminário sobre ecomuseus e museus comunitários

O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em Belém, está realizando, de 18 a 21 de maio , o seminário Ecomuseus e Museus Comunitários: Uma Nova Proposta ao Bairro da Terra Firme, dentro da programação da 8ª Semana Nacional de Museus. O evento está acontecendo no Auditório Paulo Cavalcante, no Campus de Pesquisa da instituição. Dentre diversas atividades, a programação prevê o relato dos 25 anos de ação comunitária do MPEG no bairro por meio do projeto O Museu Goeldi leva educação em ciência à comunidade, cujo objetivo principal é valorizar práticas comunitárias que estimulam o desenvolvimento pessoal e a coesão social; realização de oficinas sobre Memória Social ; Roda de Lembranças, ; e apresentação das experiências da comunidade de Terra Firme, com depoimentos, vídeos e produções artísticas sobre o bairro.

Pontos de Memória – Outro objetivo do seminário é ser um espaço de discussão sobre o Programa Pontos de Memória, desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Museus – Ibram, com apoio dos Programas Mais Cultura e Cultura Viva, do Ministério da Cultura (MinC), do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), do Ministério da Justiça (MJ), e da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), que vem apoiando ações de memória em comunidades populares de todo o Brasil. Uma das 12 localidades de atuação do Programa Pontos de Memória é o bairro Terra Firme, em Belém – PA. A consolidação do museu na localidade está recebendo apoio do Museu Goeldi , que completou 25 anos de parceria com a comunidade. Em 2009, duas técnicas MPEG e quatro representantes do bairro participaram do 1º Encontro da Teia da Memória, em Salvador, apresentando painéis com imagens das atividades do projeto no museu, já no processo de consolidação do Ponto de Memória de Terra Firme.

As inscrições para o seminário sãs gratuitas e podem ser efetuadas no Núcleo de Visitas Orientadas ao Parque Zoobotânico do Museu Goeldi. Informações: nuvop@museu-goeldi.br/ hquadros@museu-goeldi.br ou pelo telefone (91) 3259-6588.

Museu da Maré oferece oficina pedagógico-literária

A psicóloga e diretora do Instituto para Atividades Lúdicas e Linguagens, a alemã Ângela Tham, vai ministrar a oficina Aprender a Sonhar através de livros ilustrados, com tradução simultânea para português, nesta terça-feira, 18 de maio, das 13h30 às 18h, no Museu da Maré, no Rio de Janeiro.

Voltada para promotores de leitura, a oficina pretende mostrar como os livros infantis abrem jogos de linguagem através das palavras e das imagens, transmitindo em cenas o que muitas vezes não é possível transmitir por palavras.

Através de histórias de livros infantis pré-escolhidas, serão transmitidos importantes pensamentos teóricos de forma leve e lúdica, mostrando como é possível redescobrir os livros sob os aspectos pedagógico- literário e  literário-terapêutico. A oficina é resultado de parceria do Goethe – Institut Rio de Janeiro com apoio do Museu da Maré e do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM).

O Museu da Maré fica na Av. Guilherme Maxwell, 26, Maré – Passarela 7 da Av. Brasil, Rio de Janeiro – RJ. Informações: (21) 3868 6748.

Movimento para criação do Ponto de Memória da Grande São Pedro se fortalece

Seminário reúne 80 moradores e elege conselho gestor do Museu

Varais com fotografias que remetem à época em que a Grande São Pedro era um canteiro de obras, com ruas de chão batido; imagens do mangue e da construção da primeira igreja – São Pedro Apóstolo; encenação sobre os recados do famoso telefone comunitário, que contava com o trabalho voluntário de moradores para entregar recados; fotos das placas das ruas que indicam o histórico de luta da região: Rua da Resistência, Rua da Liberdade, Rua da Revolução… O Seminário do Ponto de Memória de São Pedro, em Vitória – ES, que ocorreu na última terça feira, 11 de maio, no espaço Comunitário homônimo à região, mostrou que o movimento pela memória local está se fortalecendo. Cerca de 80 moradores, dos sete bairros que integram a Grande São Pedro, entre lideranças comunitárias, representantes de escola de samba, músicos, dançarinos, jovens, idosos e políticos, conheceram a proposta de gestão comunitária e participativa do Ponto de Memória e puderam refletir sobre a importância do museu para o fortalecimento da identidade dos moradores com a região.

 

A abertura do evento contou com exibição de fotos que contaram a história de formação do bairro, do mangue aos dias de hoje.  Na ocasião, João Bispo, historiador e presidente do Movimento Comunitário da Grande São Pedro, disse que quando conheceu a proposta do Programa Pontos de Memória viu que se casava com sua formação e com uma vontade que já tinha.

“Resgatar a história de região, trazê-la para o presente para que todos a conheçam é muito emocionante. Quando a gente se vê nas fotos, no documentário, dá vontade de chorar. O museu vai permitir tanto que os jovens conheçam a construção do bairro e reconheçam seus antepassados na luta pelo território, assim como convidará os mais velhos a lembrar com orgulho daquela época difícil.”

O serígrafo e líder comunitário Livaldo De Gásperi falou sobre as ações que vêm sendo desenvolvidas para a consolidação do museu comunitário, como a participação no Encontro Teia da Memória, em Salvador, e na Teia da Cultura, em Fortaleza. Ele também pediu o apoio para todos protegerem as placas que “escondem” a história da região.

“Não podemos deixar que elas sejam trocadas por nomes de ilustres como vem acontecendo. Essas placas sinalizam toda nossa história de luta. Quando a gente resolve resgatar a história de um lugar com tantas histórias como São Pedro é muito emocionante, porque passamos não só a conhecer mais como fazer parte dela.”

Dirlene da Silva, representante das lideranças da Grande São Pedro pelo Conselho Popular de Vitória e presidente da Associação das Mulheres da Resistência, diz que o Ponto de Memória será importante para as crianças reconhecerem as dificuldades enfrentadas pelos primeiros a chegarem à região.

“Hoje em dia as crianças têm muito mais facilidades e não dão valor no que têm. Acredito que quando elas conhecerem a nossa história através do museu, tudo o que transformamos, elas passarão a valorizar muito mais o lugar onde vivem.”

 

Representando o Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), Inês Simon, disse que o diferencial desse museu é que ele está sendo criado pela própria comunidade.

“A maior riqueza deste Ponto de Memória são vocês. Os jovens devem reconhecer como uma conquista deles também. Quando você conhece sua história, suas origens, você se torna mais consciente e capaz de mudar o presente. E aqui ainda há muito o que  fazer”. Inês também falou sobre a possibilidade de integrar ações de turismo e sustentabilidade na região, que tem um forte potencial turístico e gastronômico.

“Penso que o museu também poderá oferecer aos visitantes um passeio de barco, guiado pelos próprios moradores, até a Ilha das Caieiras e seus restaurantes, fortalecendo assim o patrimônio ecológico e a geração de renda local.”

O consultor Wélcio de Toledo, representando o Instituto Brasileiro de Museus – Ibram, apresentou o Programa Pontos de Memória, citando como exemplo de experiência bem-sucedida o Museu da Maré, no Rio de Janeiro. Também enfatizou que o museu na Grande São Pedro poderá ser um espaço vivo, onde a comunidade se reconheça e trabalhe a questão da identidade.

Ao final, os membros do conselho gestor do museu, representando os sete bairros da região, se apresentaram e foram legitimados pelos participantes. São eles: Maria Aparecida R. da Silva, Dirlene A. da Silva, Jeovânia G. Teixeira, João Batista V. da Silva, João Francisco B. de Casto Jr., Livaldo A. Degásperi, Maria Madalena A. da Silva Jesus e Vicente M. Filho. O fechamento contou com a apresentação da banda de reggae Cidreira e de um grupo de dança local.

De acordo com o presidente do Movimento da Grande São Pedro, João Bispo, o Ponto de Memória da Grande São Pedro já tem um local estratégico onde poderá ser implantado, de propriedade da comunidade.

Grande São Pedro – Com cerca de 60 mil habitantes, está situada na Região Sete de Vitória-ES, abrangendo os bairros de São Pedro I, II, III, IV, Nova Palestina e Resistência. Próxima a uma região de mangue, é onde está localizada a Ilha das Caieiras, onde há as desfiadeiras de siri e a atividade da pesca.

Programa Pontos de Memória: Pautado na gestão participativa e no protagonismo comunitário, além de Vitória – ES, o Programa Pontos de Memória vem apoiando a consolidação de museus comunitários nas cidades de Belém- PA, Belo Horizonte – MG, Brasília – DF, Curitiba – PR, Fortaleza – CE, Maceió – AL, Porto Alegre – RS, Recife – PE, Rio de Janeiro, Salvador – BA, São Paulo – SP.

O Programa trabalha com o empoderamento social daqueles grupos que ainda não tiveram a oportunidade de contar suas histórias e memórias através dos museus, incentivando a apropriação desse equipamento pelas comunidades, de forma que se sintam representadas. É resultado de parceria do Instituto Brasileiro de Museus – Ibram, com o Programa Mais Cultura e Cultura Viva, do Ministério da Cultura, com o Programa Nacional de Segurança com Cidadania – Pronasci, do Ministério da Justiça e com a Organização dos Estados Ibero-americanos – OEI.

Museu da Maré comemora 4º ano com Caravanas Euclidianas

Em comemoração ao seu quarto ano de existência, o Museu da Maré, no Rio de Janeiro, receberá nesta sexta e sábado, 7 e 8 de maio, as Caravanas Euclidianas, uma itinerância realizada em diversas regiões do Estado do Rio de Janeiro, que tem o propósito de contribuir para a inclusão educacional apresentando e difundindo a obra deste que é considerado um dos maiores autores da literatura brasileira.
A programação desta  sexta (7), começa às 18h30,   com a exibição do filme A Paz é Dourada, de Noilton Nunes, sobre a vida e obra de Euclides da Cunha. Às 20h , a noite será animada com  Roda de Samba, com participação  especial de  Edeor de Paulo, compositor do samba-enredo “ Os Sertões”, estandarte de ouro de 1976 – considerado um dos mais belos de todos os tempos. Já no sábado (8), das 10h às 16, serão oferecidas oficinas de literatura e áudio-visual sobre o autor.
Segundo Noiton Nunes, “ Euclides da Cunha era um visionário. Além de sua importância para a literatura brasileira, é considerado um dos primeiros ecologistas a chamar a atenção, ainda no final do séc. XIX,  para as devastações que começaram a ocorrer no Estado do Rio de Janeiro com a chegada das fábricas e transportes modernos.”
O Museu da Maré fica na Av. Guilherme Maxwell, 26 – Maré,  Passarela 7 da Av. Brasil, Rio de Janeiro – RJ. Mais informações:  (21) 3868 6748.

Moradores do Beiru discutem importância do museu e criam conselho

Falar de Beiru não é apenas falar da história de um grande líder negro e de um bairro com cerca de 200 mil habitantes de Salvador, mas também é falar diretamente da história de vida de cada morador. Foi o que mostrou o seminário realizado no Centro de Integração Familiar – Ceifar, em Beiru, Salvador – BA, no sábado (24), com a participação de 20 representantes da comunidade, para criação do conselho gestor do Ponto de Memória Museu do Beiru.

O encontro foi acalorado, porque não há como falar de memórias sem tocar em feridas e porque museu, além de ser espaço de investigação, preservação e comunicação, também é lugar de discussão, embates e resolução de conflitos da comunidade. Morador do bairro há 32 anos, Roberto dos Santos Freitas, pesquisador da cultura afro-brasileira, presidente da Associação Cultural Comunitária e Carnavalesca Mundo Negro e da Associação dos blocos afros da Bahia, disse que sua militância sempre foi por melhorias para a comunidade negra e que uma das suas grandes lutas é para que não deixem apagar a memória de Beiru. Para ele, o museu ajudará a mostrar a importante histórica deste líder para a identidade do bairro.

“O sangue corre na minha veia quando ouço falar em Beiru. É preciso resgatar a memória de nossa história afro-brasileira. Não podemos deixar que o nome de um dos primeiros donos das terras seja trocado por Tancredo Neves. Em nossa comunidade há pessoas de outros estados da Bahia, já são poucos os nativos. E o povo chega e fala que mora em Tancredo Neves porque acha o nome bonito.”

Roberto contou que a Associação Mundo Negro se uniu a  outras entidades por toda essa luta e vem divulgando em escolas uma cartilha sobre a história de Beiru ,  organizando  anualmente a Marcha do Beiru, o Campeonato de Liga Esportiva do Beiru. Segundo ele, também pretendem criar a rádio comunitária “A voz do Beiru” e conseguir um a estátua junto ao IBRAM em homenagem ao líder negro em novembro deste ano, mês da consciência negra.

Na ocasião, a professora e militante de direitos humanos e sociais Norma Ribeiro disse que é inadmissível se referir ao bairro como Tancredo Neves. “Beiru não pode ficar a sombra em um momento político nacional de mudança da história. Não podemos deixar que adversários se apropriem de nossa memória, do museu. Não podemos esquecer do massacre cometido pela Igreja Católica contra o nosso  povo negro, das igrejas que foram construídas em cima dos terreiros de Candomblé, dos sangues que foram derramados. É preciso ter um discurso único neste momento a favor do Beiru.”

Hilário de Araújo, um dos militantes da luta pela história e pelo nome do precursor africano, disse que o museu homenageará o maior líder político da região e que, a partir deste seminário, se sente dentro do processo.  “Estava me sentido traído. Mas agora, sim, me sinto participando desse museu. Agora sei que todos terão a mesma relevância para sua construção.”

A relação histórica entre os terreiros e a Igreja Católica ainda deixa marcas na comunidade, que é marcada pela diversidade religiosa. Jean Santos, pedagogo, disse que mesmo conhecendo e respeitando a história do líder negro, não pode apagar a sua história com a Igreja Católica, que foi um instituição que devolveu dignidade à sua vida. Ele também mencionou a mudança de visão sobre museu a partir do envolvimento com o projeto Pontos de Memória.  “Achava que museu era coisa de gente rica, branca. Quando ia a um museu me perguntavam onde estava a vassoura. Mas agora vejo que pode ser diferente.”

O fechamento do seminário contou com a voz e violão do músico Tom com a composição “Relíquia da Terra” e com a fala do consultor do projeto Pontos de Memória, Wélcio de Toledo, que esclareceu todas as dúvidas. Em consenso, todos perceberam um objetivo em comum: a luta pela comunidade e, agora, a luta também pelo Museu do Beiru.

Logo após foi ratificada a função de cada integrante do conselho gestor: Presidente – Norma Ribeiro; vice-presidente – Jean Santos; Conselho Fiscal – Roberto dos Santos Freitas, Maria Lúcia Santana, Jairo Augusto e Hilário Araújo. As funções de tesoureiro e secretária ficaram por definir no próximo encontro.

Beiru – Foi  um escravo da fazenda Campo Seco, conhecido por Preto Beiru, cujo nome em ioruba, sua língua nativa, se escreve GBEIRU. Em 1845, ele ganhou parte da fazenda que pertencia à família Silva Garcia. Ele pôde então formar um quilombo e tornar-se assim uma liderança negra para os escravos da fazenda, ensinando à família Silva Garcia a viver ao lado do negro sem maltratá-lo. Preto Beirú nasceu em Oió, uma cidade da Nigéria, segundo registros na escritura das terras que receu da família Silva Garcaia.

Os africanos escravizados em Salvador criaram um território próprio de resistência ao poder dos donos das fazendas, cujos limites ainda são desconhecidos.  Atualmente, a maioria dos bairros continua sendo uma área de grande concentração de negros, áreas também conhecidas como quilombos urbanos, por preservarem a herança daqueles herdeiros africanos.

Pontos de Memória – O Ibram acredita que o direito à memória precisa ser conquistado, mantido e exercido como direito de cidadania, como direito que precisa ser democratizado e comunicado entre os diferentes grupos sociais existentes no Brasil. É por esse direito e luta que está desenvolvendo o Projeto Pontos de Memória – resultado de parceria com o Programa Mais Cultura e, agora, com a Secretaria de Cidadania Cultural , do Ministério da Cultura, o Programa Nacional de Segurança com Cidadania – Pronasci, do Ministério da Justiça, e a Organização dos Estados Ibero-americanos.

O projeto vem apoiando ações de memória em comunidades de todo o Brasil. Estão em fase de consolidação 12 Pontos de Memória, situados em comunidades populares nas cidades de Belém- PA, Belo Horizonte – MG, Brasília – DF, Curitiba – PR, Fortaleza – CE, Maceió – AL, Porto Alegre – RS, Recife – PE, Rio de Janeiro, Salvador – BA, São Paulo – SP, Vitória – ES.

Também estão em desenvolvimento, com apoio do Ibram, iniciativas comunitárias a partir de realização de oficinas temáticas e consultorias técnicas a grupos envolvidos nas ações de preservação da memória local. Como exemplo de tais iniciativas, o Ecomuseu da Amazônia (Belém – PA), os Museus Sankofa da Rocinha e Vila do Horto (Rio de Janeiro – RJ) e o Museu Vivo do São Bento (Duque de Caxias – RJ).

Grande Bom Jardim discute importância do Ponto de Memória na localidade

Criado “grupo animador” para mobilizar outros segmentos da comunidade

Lideranças dos cinco bairros do Grande Bom Jardim, em Fortaleza – CE, reuniram-se nesta terça-feira, 16 de março, com a equipe do projeto de Pontos de Memória, no Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza – CDVHS, para discutir o desenvolvimento da iniciativa de Memória Social na localidade. A reunião também contou com a participação do historiador Projeto Historiando, João Paulo Gomes, e de André , da Secretaria de Cultura de Fortaleza.

Durante a apresentação do projeto, a coordenadora da CDVHS, Marileide Luz, enfatizou a importância de se pensar a memória como uma mecanismo de afirmação de identidade e mudança. “ Sei que a questão da memória é importante. Gostaria que nossa identidade fosse percebida e fôssemos lembrados como sujeitos de nossa própria história de luta.”

O representante da associação ACOJARD Francisco Macedo levantou a necessidade da comunidade perceber a importância de se conhecer a história de onde se vive. “Quando temos dificuldade de contar nossa história, temos dificuldade de lidar com a realidade e transformá-la. Podemos estar hoje pagando por um erro do passado, por não termos contado nossa história.”

Citando as experiências com a criação de museus comunitário indígenas no Ceará, o historiador João Paulo Gomes falou sobre como a memória é importante na luta das comunidades. “ Os índios já perceberam a importância da memória na preservação da diversidade étnica, no processo de organização e afirmação. Essa iniciativa, construída por todos vocês, só trará benefícios, contem com meu apoio.”

O representante da Secretaria de Cultura do Ceará também apoiou a iniciativa. “Com o Sistema Municipal de Museus de Fortaleza, que está em fase de implantação, poderemos apoiar o museu comunitário não só com aporte logístico, mas também financeiro.”

Ao final da reunião, as lideranças elegeram um “grupo animador”, para mobilizar outras representações da comunidade e dar prosseguimento aos encaminhamentos do projeto até que se crie um conselho gestor do Ponto de Memória do Grande Bom Jardim.

Grande Bom Jardim – A região possui cerca de 175 mil habitantes e é constituída por cinco bairros. Tem uma vasta rede de entidades e associações que desenvolvem ações sócioeducativas e culturais.

Pontos de Memória – O projeto tem como meta valorizar as ações de memória desenvolvidas pelas comunidades, valorizando as diferentes narrativas dos moradores, suas trajetórias de vida, expressões culturais e anseios. Também é sua função mostrar que os museus podem trabalhar de forma ímpar na desmitificação da imagem dessas localidades associada a guetos de violência, revelando a toda população que esses territórios são locais de convivência convidativos, de vasta riqueza cultural, e, sobretudo, que refletem o cidadão ao mesmo tempo em que o instiga a refletir sobre sua realidade.

O projeto é resultado da parceria entre o Programa Mais Cultura, do Ministério da Cultura, através do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), e do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), do Ministério da Justiça, com apoio da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI).

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