Museu Lasar Segall recebe ‘Ocupação Gregori Warchavchik’

Ambos imigrantes judeus, Warchavchik era concunhado do lituano Lasar Segall e projetou em 1932 a casa e ateliê de Segall (1889-1957) no bairro da Vila Mariana, em São Paulo (SP). O imóvel abriga o Museu Lasar Segall desde sua criação, em 1967.

Ambos imigrantes judeus, Warchavchik era concunhado do lituano Lasar Segall e projetou em 1932 a casa e ateliê do artista no bairro da Vila Mariana, em São Paulo (SP). O imóvel abriga o Museu Lasar Segall desde sua criação, em 1967.

O Museu Lasar Segall, integrante da rede Ibram em São Paulo (SP), recebe desde o último sábado (27) exposição do Itaú Cultural sobre o arquiteto ucraniano Gregori Warchavchik (1896-1972), pioneiro da arquitetura moderna brasileira.

Ambos imigrantes judeus, Warchavchik era concunhado do lituano Lasar Segall – o artista era casado com Jenny Klabin Segall e o arquiteto casou-se com a paisagista e cantora lírica Mina Klabin, irmã dela – e projetou em 1932 a casa e ateliê de Segall (1889-1957) no bairro da Vila Mariana, em São Paulo (SP). O imóvel abriga o Museu Lasar Segall desde sua criação, em 1967.

Atuante em São Paulo no período em que a cidade já começava a respirar os ares de renovação do modernismo, no contexto da Semana de Arte Moderna de 1922, Gregori Warchavchik foi próximo de intelectuais e artistas modernistas como Mario e Oswald de Andrade, Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Di Cavalcanti, Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, além do próprio Lasar Segall.

Entre 1927 e 1928, o arquiteto projetou e construiu para viver aquela que foi considerada a primeira casa moderna do Brasil, na rua Santa Cruz, também na Vila Mariana – que hoje integra o Museu da Cidade de São Paulo. Situada perto dali, na rua Berta, a antiga residência modernista projetada pouco depois para Segall e sua família vai agora abrigar parte da Ocupação Gregori Warchavchik numa parceria entre o Itaú Cultural e o Museu Lasar Segall.

Revolucionário de moradias

Entre 1927 e 1928, o arquiteto projetou e construiu para viver aquela que foi considerada a primeira casa moderna do Brasil, na rua Santa Cruz, também na Vila Mariana.

Entre 1927 e 1928, o arquiteto projetou e construiu para viver aquela que foi considerada a primeira casa moderna do Brasil, também na Vila Mariana.

Com curadoria dos núcleos de Artes Visuais e de Enciclopédia do Itaú Cultural, cocuradoria de Silvia Prado Segall e projeto expográfico de Juliana Prado Godoy, a exposição apresenta na sede do instituto a trajetória profissional e a obra do arquiteto reconhecido pela imprensa da época como “revolucionário de moradias”, apresentando projetos, fotos, conteúdos audiovisuais atuais e da época, artigos, recortes de jornais e material de pesquisa.

No local o público pode rever, em fotografias, projetos e desenhos, casas construídas por Warchavchik – hoje desfiguradas ou já inexistentes – e prédios ainda em pé, uns conservados, outros não, que passam despercebidos por quem desconhece a obra do arquiteto. Depoimentos gravados em audiovisual de outros profissionais da arquitetura, como Aracy Amaral, contextualizam o período e a produção de Warchavchik.

Já no Museu Lasar Segall, em outro percurso da mostra, são expostas referências mais intimistas sobre o arquiteto, traçando a conexão das famílias Klabin, Segall e Warchavchik, sua paixão pela fotografia e uma representação de ambiente modernista semelhante àqueles em que eles conviviam.

Como visitar

A Ocupação Gregori Warchavchik, para a qual estão programadas diversas atividades paralelas, fica em cartaz até 23 de junho. No Itaú Cultural (Av. Paulista, 149 – Estação Brigadeiro do Metrô), pode ser visitada de terça a sexta-feira, das 9h às 20h; e aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h. No Museu Lasar Segall (Rua Berta, 111 – Vila Mariana), pode ser visitada de quarta a segunda-feira, das 11h às 19h. Em ambos com indicação livre e entrada gratuita. Saiba mais.

90 anos da Semana de 22: obras podem ser vistas em museus Ibram

Os 90 anos da Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo (SP), entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922, têm motivado uma série de eventos comemorativos pelo Brasil. A celebração da data é uma boa oportunidade para conhecer de perto obras de artistas que participaram ou influenciaram o evento que intencionava romper com uma concepção de arte ainda acadêmica e sob forte influência francesa da belle époque.

Parte destas obras pode ser visitada nos museus vinculados ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC). É o caso da escultura Portadora de Perfumes, de Victor Brecheret, e das pinturas Auto-Retrato ou Le manteau rouge, de Tarsila do Amaral (foto); de Colonos, de Di Cavalcanti, e de uma série de pinturas de Anita Malfatti, pertencentes ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro (RJ).

Merecem destaque, ainda, as obras do maestro e compositor Heitor Villa-Lobos, maior expoente do modernismo brasileiro na música, que integram o acervo do Museu Villa-Lobos, também no Rio de Janeiro. O acervo inclui as partituras e o programa das cerca de vinte composições de Villa-Lobos apresentadas durante a Semana.

No Museu Lasar Segall, em São Paulo (SP), é possível conhecer ainda obras do artista brasileiro nascido na Lituânia que, com exposição individual realizada em 1913, iria influenciar decisivamente a criação da Semana de 22.

Texto: Bruno Aragão – Ascom/Ibram
Colaboração: Daniela Matera/DEPMUS/Ibram