Fotógrafo André Penteado lança livro sobre Missão Francesa no MNBA

No próximo dia 17 de outubro, terça,  a partir das 18:30h,  o fotógrafo paulista André Penteado vai lançar no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA/Ibram) um livro que convida a uma releitura da Missão Francesa,  capitaneada por Joaquim Lebreton, que chegou ao Brasil, há mais de dois séculos para implantar o ensino oficial da arte e deixou marcas na nossa cultura desde então.  As fotos foram feitas por André no Rio de Janeiro, entre fevereiro de 2015 até janeiro de 2017.

A publicação Missão Francesa busca relacionar passado e presente a partir da formação de artes no Brasil, pelos franceses, em locais emblemáticos como o Museu Nacional de Belas Artes, o Museu D. João VI e o solar Grandjean de Montigny, e a personificação do que esse processo representou, em retratos de alunos e professores da Escola de Belas Artes da UFRJ, retratos de descendentes de Nicolas-Antoine Taunay e desenhos, pinturas e esculturas dos artistas que compuseram a Missão, assim como de seus alunos, pertencentes aos acervos das instituições visitadas.

O livro é dividido em três partes: na primeira, que representa o tempo presente, o leitor se depara com uma série de imagens, todas relacionadas de alguma forma com a história da Missão Francesa (há legendas no fim do livro que identificam cada uma delas), e que sugerem uma reflexão sobre a ideia de que copiar modelos resolverá os problemas e a dificuldade em seguir com o planejamento de projetos; a segunda, representando o passado, contém a reprodução do Plano de Lebreton para o estabelecimento de uma escola de Belas Artes no país, o documento fundamental desta história; e a terceira, apontando para o futuro, contém retratos de alunos da Escola de Belas Artes da UFRJ, instituição que “descende” diretamente da Academia Imperial de Belas Artes, mas traz também uma interrogação: “Se os diversos espectros da sociedade brasileira estão também nas escolas de artes, alguma mudança ocorreu, mas, se o prédio da Universidade está depauperado, qual educação está sendo oferecida a eles?”, se pergunta o fotógrafo.

 

MNBA inaugura mostras em comemoração ao Dia Nacional da França

André Penteado, Missão Francesa

André Penteado, Missão Francesa

O Museu Nacional de Belas Artes (MNBA/Ibram) abre, nesta sexta-feira (14), duas mostras: Diálogos Contemporâneos e Missão Francesa. As exposições são em comemoração ao Dia Nacional da França, celebrado em 14 de julho.

A mostra Diálogos Contemporâneos reúne cerca de 100 obras, entre pinturas, esculturas, desenhos e gravuras, e tem curadoria de Claudia Saldanha e da pesquisadora e diretora do MNBA, Monica Xexéo. A exposição é um recorte do acervo do Museu e as obras expostas se situam entre os anos 1920 até o contemporâneo, espelhando alguns ângulos da influência francesa na vivência de artistas modernos e contemporâneos brasileiros.

Na exposição, poderão ser vistos trabalhos de nomes como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Flavio Shiró, Antonio Bandeira, Gonçalo Ivo, Sérvulo Esmeraldo, Luiz Áquila, Jorge Mori, e Lasar Segall, Maria Leontina.

Missão Francesa é um recorte do livro de mesmo nome, do artista André Penteado. Para a mostra, o artista selecionou um grupo de trinta e três fotografias que resumem as discussões levantadas no livro.

O livro Missão Francesa faz parte da trilogia Rastros, Traços e Vestígios. A publicação busca relacionar passado e presente a partir da formação de artes no Brasil, pelos franceses, em locais emblemáticos como o Museu Nacional de Belas Artes, o Museu D. João VI e o Solar Grandjean de Montigny, e a personificação do que esse processo representou, em retratos de alunos e professores da Escola de Belas Artes da UFRJ, retratos de descendentes de Nicolas-Antoine Taunay e desenhos, pinturas e esculturas dos artistas que compuseram a Missão, assim como de seus alunos, pertencentes aos acervos das instituições visitadas.

Mais informações na página do Museu.

Museu Chácara do Céu abre mostra ‘Debret e a Missão Artística Francesa’

Para comemorar os 200 anos da Missão Artística Francesa no Brasil, os Museus Castro Maya apresentam a exposição Debret e a Missão Artística Francesa no Brasil-200 anos. Com curadoria de Jacques Leenhardt, a mostra, que será realizada de 21 de julho a 25 de setembro de 2016, no Museu da Chácara do Céu, em Santa Teresa, reúne 75 aquarelas e gravuras da coleção Castro Maya, produzidas pelo artista Jean-Baptiste Debret, de 1816 e 1831, período em que viveu no país.

A exposição, que segue para Paris em outubro, faz um retrato das várias camadas da população brasileira da época, passando por índios, escravos africanos, caboclos, mestiços, e europeus, ricos e pobres. “Durante os 15 anos que morou no Rio de Janeiro, Debret produziu mais de 700 desenhos, em grande parte aquarelas, captando a pulsação da vida da corte e da cidade. Esse testemunho constitui uma documentação única sobre a história da vida cotidiana do Brasil oitocentista”, explica Leenhardt.

Para facilitar a leitura do público, as obras selecionadas para a mostra foram dividas por temas, entre eles, “Religião na Cidade”, “Escravidão”, “Selvagens e Civilizados?” e “O ateliê do pintor da história e o ateliê da rua”, este último apresentando com o único autorretrato conhecido do artista trabalhando. “Debret sempre enfatiza a importância das culturas próprias dos índios e africanos, mesmo quando destroçadas. Demonstra claramente o horror à violência escravocrata e registra a riqueza cultural daqueles que foram os vencidos da situação colonial”, diz o curador.

O principal objetivo da Missão Artística Francesa, que chegou ao Rio de Janeiro em março de 1816, foi estabelecer aqui a Escola de Belas Artes. Além disso, esperava-se que os profissionais estrangeiros divulgassem a imagem modernizada da colônia brasileira, que acabava de virar sede do Reino de Brasil, Portugal e Algarves.

De volta à França, Debret reuniu tudo o que viu por aqui e foi o responsável por uma das mais importantes contribuições à história. Publicou o livro Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil (1834-1839), documentando aspectos da natureza, do homem e da sociedade brasileira no início do século XIX.

Sobre Jacques Leenhardt – Filósofo e sociólogo, é Diretor de Estudos na Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais (Paris, França) e Presidente de Honra da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA). Entre suas principais publicações estão “Nos Jardins de Burle Marx”, “Reinventar o Brasil: Gilberto Freyre entre história e ficção”, “A construção francesa do Brasil”, e a reedição moderna do livro “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”, de Debret, que acaba de ser lançado.

 

Sobre o museu – O Museu da Chácara do Céu, junto com o Museu do Açude, foram residências de Castro Maya e por ele doadas à Fundação que levou seu nome, criada em 1963 e extinta em 1983, quando ambos foram incorporados ao IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus), do Ministério da Cultura. Os prédios, acervos e parques dos museus foram tombados pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), em 1974.

O Museu da Chácara do Céu exibe coleções de arte de diversos períodos e de diferentes origens. Os livros raros, mobiliário e artes decorativas estão distribuídos pela casa de três pavimentos, em Santa Teresa.