MAB recebe prêmio por Repatriação Digital do Acervo Afro-Pernambucano

Projeto premiado consistiu na repatriação digital de objetos confiscados dos terreiros pernambucanos que se encontram no acervo da Missão de Pesquisa Folclórica Mário de Andrade, sob a guarda do Centro Cultural de São Paulo.

Projeto premiado consistiu na repatriação digital de objetos confiscados dos terreiros pernambucanos que se encontram no acervo da Missão de Pesquisa Folclórica Mário de Andrade, sob a guarda do Centro Cultural de São Paulo.

O projeto Repatriação Digital do Acervo Afro-Pernambucano, iniciativa do Museu da Abolição (MAB), vinculado ao Ibram, em parceria com o Centro Cultural de São Paulo e o Museu AfroDigital, foi contemplando com o prêmio Ayrton de Almeida Carvalho de Preservação do Patrimônio Cultural de Pernambuco. A premiação foi entregue na última sexta-feira (17), em Recife (PE).

O projeto consistiu na repatriação digital de objetos confiscados de terreiros pernambucanos que foram cedidos pelas autoridades policiais à Missão de Pesquisas Folclóricas Mário de Andrade durante sua passagem pelo Recife, em 1938, e hoje se encontram sob a guarda do Centro Cultural de São Paulo.

O trabalho foi desenvolvido pela equipe técnica do Museu da Abolição e pelo produtor cultural e antropólogo Charles Douglas Martins com recursos do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura PE).

A iniciativa foi agraciada com o primeiro lugar na categoria de Promoção e Difusão por garantir a acessibilidade dos objetos a pesquisadores, descendentes de terreiros e públicos em geral, se destacando por sua inovadora expografia, concebida e executada por Charles Martins, que utiliza fotografias em 360º/3D.

Além de ampliar a acessibilidade a este acervo, o projeto contribui como subsídio didático no auxílio ao ensino sobre a história da cultura afro-brasileira. As fotografias passam a fazer parte do acervo digital do Museu da Abolição e estão disponíveis na exposição virtual do Museu Afro Digital.

Pontos de Memória promove oficina sobre Museu, Memória e Cultura Afro-Brasileira

O Programa Pontos de Memória promoveu na última semana, em Brasília (DF), a oficina Museu, Memória e Cultura Afro-Brasileira. Voltada para iniciativas de museologia social focadas nesta temática, a oficina, que aconteceu no auditório do edifício-sede do Ibram, teve como objetivo abordar questões contemporâneas com ênfase na função social dos museus e sua interface com a história e cultura africanas e de sua diáspora.

Com carga horária de 32 horas, a programação foi desenvolvida entre a última terça-feira (26) e  sexta-feira (29) e contou com conferência de abertura sobre o tema central, ministrada pelo Prof. Dr. Marcelo Bernardo da Cunha, do Departamento de Museologia da UFBA, e mesa redonda sobre o tema Patrimônio Cultural Afro-brasileiro, com a participação de representantes da Fundação Palmares, Iphan, Colegiado Setorial de Culturas Afro-brasileiras do MinC e do curso de Museologia da Universidade de Brasília (UnB).

Ministrada pela museóloga Maristela Simão, a oficina abordou temas como História, Cultura e Patrimônio Afro-Brasileiro, Políticas Públicas, Fomentos e População Negra no Brasil e Inventário Participativo, além de exercícios voltados à elaboração de planos de ação e projetos de expografia. Também foi discutida na oportunidade a construção de Rede de Memória Afro.

Memória e especificidades - Para Giane Vargas Escobar, idealizadora do Museu Comunitário Treze de Maio, em Santa Maria (RS), a oficina contribuiu para o fortalecimento de uma política pública de memória voltada às especificidades das comunidades afro-brasileiras.

“A memória tem importância essencial para a construção e reconstrução das identidades negras no Brasil e esse encontro é de extrema riqueza para que as iniciativas que atuam neste campo possam se reconhecer e ter dimensão do significado do trabalho que realizam no cenário nacional”, explica.

De acordo com a coordenadora de Museologia Social e Educação do Ibram, Cinthia Oliveira, a ideia é que os conteúdos abordados na oficina continuem a ser desenvolvidos em ambiente virtual através da recém-criada plataforma de formação Saber Museu. O Programa Pontos de Memória já tem outra oficina agendada, para o final de maio, com o tema Museu Memória, e Cultura Indígena.