Museu Lasar Segall inaugura exposição do artista pernambucano Macaparana

“Sem título”, 2017
Macaparana
pigmento e tinta acrílica sobre cartão lana
110 x 102 cm

De pai alfaiate e o segundo de dezoito filhos, José de Souza Oliveira Filho nasceu em 1952 e adotou o nome de sua cidade natal, a cerca de 120 Km de Recife (PE), como seu nome artístico. “Como os pintores italianos do quattrocento”, comenta o curador Franck-James Marlot. Sua obra vasta, reconhecida dentro e fora do Brasil, é o tema de exposição que o Museu Lasar Segall, vinculado ao Ibram, inaugurou no último sábado (9).

Marcado pelo rigor geométrico conjugado à informalidade, o trabalho do artista tem como ponto de partida materiais como o papel e o papelão, seus suportes favoritos, abarcando esculturas de metal e painéis de madeira pintados, cortados, entalhados e perfurados.

“Macaparana – Afinidades” reúne 15 obras inéditas do artista pernambucano entre pinturas, desenhos, colagens e recortes sobre cartão, que focam quarenta anos de prática artística, além de trabalhos de artistas que inspiraram seu trabalho – convidando o público a refletir sobre a influência entre eles.

Trajetória

Aos sete anos de idade, doente de febre reumática e convalescente por um longo período, Macaparana vivenciou sua primeira relação com a pintura. “Os cadernos e os lápis tiveram um papel importante, quase obsessivo, no meu processo de recuperação e na consolidação da minha ideia de ser artista, apesar da desaprovação inicial do meu pai”, explica o artista, que realizou sua primeira exposição individual aos 18 anos, na capital pernambucana.

Aos 20 anos, vai viver no Rio de Janeiro (RJ), onde frequenta galerias e museus e torna-se próximo de nomes como Ferreira Gullar (1930-2016), Lygia Clark (1920-1988), Lygia Pape (1927-2004) e Amilcar de Castro (1920-2002). “Era um momento fantástico e a cidade onde todos queriam estar. Lá vivi intensamente, compartilhei casa com um vai e vem de artistas, participei de várias exposições e tive contato com o exercício da crítica pela primeira vez”, conta.

Em 1973, muda-se para São Paulo (SP), cidade onde vive até hoje e onde ganhou o nome que adotaria. “O Pietro Maria Bardi, fundador e diretor do Masp, gostava muito do nome da minha cidade natal, então no final dos anos 1970 ele e o meu amigo Antônio Maluf começaram a me chamar de Macaparana”, explica o artista, que já no ano seguinte realizaria exposição individual no Museu de Arte de São Paulo.

Ao longo dos anos 80, teria sua obra exposta em diversos espaços no Brasil e viajaria por temporadas, de grande influência para seu trabalho, à Holanda, França, EUA, Inglaterra e Turquia. Desde os anos 90, participa de frequentes exposições internacionais em países como México, Equador, Bolívia, Espanha, Argentina, EUA, França e Polônia – nos dois últimos, expôs em 2018.

A exposição “Macaparana – Afinidades” pode ser visitada até o dia 6 de agosto, de quarta a segunda, das 11h às 19h, no Museu Lasar Segall (Rua Berta, 111 – Vila Mariana), em São Paulo (SP). A entrada é gratuita.

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