Museu das Missões participa de curso sobre biodeterioração de bens culturais

Curso aborda a conservação e preservação de bens culturais que integram o acervo em pedra da região missioneira.

Curso aborda a conservação e preservação de bens culturais que integram o acervo em pedra da região missioneira.

O Museu das Missões, em São Miguel das Missões (RS), participou esta semana de curso organizado pela Superintendência do Iphan no Rio Grande do Sul sobre biodeterioração de bens culturais. O curso foi promovido em parceria com a Associação Victorino Fabião Vieira, entidade sem fins lucrativos que tem como objetivo a preservação do patrimônio cultural no estado.

Ministrado pela arquiteta Verônica Benedetti, especialista em restauro de materiais pétreos e cerâmicos, a atividade aborda entre a última terça e esta sexta-feira (18 a 21) a conservação e preservação de bens culturais que integram o acervo pétreo da região missioneira, onde o Museu das Missões, que integra a rede Ibram, está localizado. Dois membros da equipe participaram da atividade, entre eles o restaurador do museu.

Com momentos teóricos e práticos, o curso contou com atividades orientadas de conservação e preservação de peças compostas por arenito/pedra grês, material constituinte de elementos arquitetônicos e bens móveis integrados da região. Entre as peças trabalhadas esteve uma pia batismal da época em que os povoados missionais se estabeleceram na região onde hoje é o Rio Grande do Sul (bem como Argentina e Paraguai) nos séculos XVII e XVIII.

Qualificação

Durante o curso, os participantes realizaram visita técnica ao Sítio Histórico São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, e foi realizada atividade junto aos remanescentes preservados no Sítio Arqueológico de São João Batista, na cidade de Entre-Ijuis (RS). Gratuito, o curso conta com a participação de profissionais e técnicos ligados à preservação na Região Missioneira, que está localizada no noroeste do Rio Grande do Sul e engloba 26 municípios.

“Foi uma boa oportunidade de qualificação da equipe técnica do museu e ampliação dos conhecimentos de conservação e restauro de acervo pétreo, pois nossa coleção possui itens de arenito/pedra grês, a exemplo de uma imagem identificada como de São Francisco Xavier e uma outra imagem de São Pedro, ambas em exposição no Pavilhão Lucio Costa”, explica o diretor do Museu das Missões, Diego Luiz Vivian.

De acordo com o diretor do museu, o curso também pode favorecer a construção de futuras parcerias entre Iphan e Ibram para preservação dos remanescentes dos povoados missionais, conhecidos hoje como os Sete Povos das Missões Orientais, tendo em vista a vocação do museu para ser um “museu de sítio”.

Construções pétreas guaranis

O antigo templo do povoado de São Miguel Arcanjo foi todo construído pelos índios guaranis da região utilizando a pedra grês/arenito. Foram cerca de dez anos de construção, que envolveu cerca de mil índios.

Os guaranis trouxeram todas as pedras utilizadas na obra de uma pedreira localizada a uma distância de 18 km do povoado e do atual centro da cidade de São Miguel das Missões, no que hoje se chama de Arroio Santa Bárbara, onde é possível encontrar os vestígios arqueológicos dessa empreitada realizada no século XVIII. As casas dos índios, o cotiaguaçu (casa das viúvas e órfãos), o cabildo, pisos e calçamentos do local também foram estruturas construídas com arenito pelos indígenas.

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