Movimento para criação do Ponto de Memória da Grande São Pedro se fortalece

Seminário reúne 80 moradores e elege conselho gestor do Museu

Varais com fotografias que remetem à época em que a Grande São Pedro era um canteiro de obras, com ruas de chão batido; imagens do mangue e da construção da primeira igreja – São Pedro Apóstolo; encenação sobre os recados do famoso telefone comunitário, que contava com o trabalho voluntário de moradores para entregar recados; fotos das placas das ruas que indicam o histórico de luta da região: Rua da Resistência, Rua da Liberdade, Rua da Revolução… O Seminário do Ponto de Memória de São Pedro, em Vitória – ES, que ocorreu na última terça feira, 11 de maio, no espaço Comunitário homônimo à região, mostrou que o movimento pela memória local está se fortalecendo. Cerca de 80 moradores, dos sete bairros que integram a Grande São Pedro, entre lideranças comunitárias, representantes de escola de samba, músicos, dançarinos, jovens, idosos e políticos, conheceram a proposta de gestão comunitária e participativa do Ponto de Memória e puderam refletir sobre a importância do museu para o fortalecimento da identidade dos moradores com a região.

 

A abertura do evento contou com exibição de fotos que contaram a história de formação do bairro, do mangue aos dias de hoje.  Na ocasião, João Bispo, historiador e presidente do Movimento Comunitário da Grande São Pedro, disse que quando conheceu a proposta do Programa Pontos de Memória viu que se casava com sua formação e com uma vontade que já tinha.

“Resgatar a história de região, trazê-la para o presente para que todos a conheçam é muito emocionante. Quando a gente se vê nas fotos, no documentário, dá vontade de chorar. O museu vai permitir tanto que os jovens conheçam a construção do bairro e reconheçam seus antepassados na luta pelo território, assim como convidará os mais velhos a lembrar com orgulho daquela época difícil.”

O serígrafo e líder comunitário Livaldo De Gásperi falou sobre as ações que vêm sendo desenvolvidas para a consolidação do museu comunitário, como a participação no Encontro Teia da Memória, em Salvador, e na Teia da Cultura, em Fortaleza. Ele também pediu o apoio para todos protegerem as placas que “escondem” a história da região.

“Não podemos deixar que elas sejam trocadas por nomes de ilustres como vem acontecendo. Essas placas sinalizam toda nossa história de luta. Quando a gente resolve resgatar a história de um lugar com tantas histórias como São Pedro é muito emocionante, porque passamos não só a conhecer mais como fazer parte dela.”

Dirlene da Silva, representante das lideranças da Grande São Pedro pelo Conselho Popular de Vitória e presidente da Associação das Mulheres da Resistência, diz que o Ponto de Memória será importante para as crianças reconhecerem as dificuldades enfrentadas pelos primeiros a chegarem à região.

“Hoje em dia as crianças têm muito mais facilidades e não dão valor no que têm. Acredito que quando elas conhecerem a nossa história através do museu, tudo o que transformamos, elas passarão a valorizar muito mais o lugar onde vivem.”

 

Representando o Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), Inês Simon, disse que o diferencial desse museu é que ele está sendo criado pela própria comunidade.

“A maior riqueza deste Ponto de Memória são vocês. Os jovens devem reconhecer como uma conquista deles também. Quando você conhece sua história, suas origens, você se torna mais consciente e capaz de mudar o presente. E aqui ainda há muito o que  fazer”. Inês também falou sobre a possibilidade de integrar ações de turismo e sustentabilidade na região, que tem um forte potencial turístico e gastronômico.

“Penso que o museu também poderá oferecer aos visitantes um passeio de barco, guiado pelos próprios moradores, até a Ilha das Caieiras e seus restaurantes, fortalecendo assim o patrimônio ecológico e a geração de renda local.”

O consultor Wélcio de Toledo, representando o Instituto Brasileiro de Museus – Ibram, apresentou o Programa Pontos de Memória, citando como exemplo de experiência bem-sucedida o Museu da Maré, no Rio de Janeiro. Também enfatizou que o museu na Grande São Pedro poderá ser um espaço vivo, onde a comunidade se reconheça e trabalhe a questão da identidade.

Ao final, os membros do conselho gestor do museu, representando os sete bairros da região, se apresentaram e foram legitimados pelos participantes. São eles: Maria Aparecida R. da Silva, Dirlene A. da Silva, Jeovânia G. Teixeira, João Batista V. da Silva, João Francisco B. de Casto Jr., Livaldo A. Degásperi, Maria Madalena A. da Silva Jesus e Vicente M. Filho. O fechamento contou com a apresentação da banda de reggae Cidreira e de um grupo de dança local.

De acordo com o presidente do Movimento da Grande São Pedro, João Bispo, o Ponto de Memória da Grande São Pedro já tem um local estratégico onde poderá ser implantado, de propriedade da comunidade.

Grande São Pedro – Com cerca de 60 mil habitantes, está situada na Região Sete de Vitória-ES, abrangendo os bairros de São Pedro I, II, III, IV, Nova Palestina e Resistência. Próxima a uma região de mangue, é onde está localizada a Ilha das Caieiras, onde há as desfiadeiras de siri e a atividade da pesca.

Programa Pontos de Memória: Pautado na gestão participativa e no protagonismo comunitário, além de Vitória – ES, o Programa Pontos de Memória vem apoiando a consolidação de museus comunitários nas cidades de Belém- PA, Belo Horizonte – MG, Brasília – DF, Curitiba – PR, Fortaleza – CE, Maceió – AL, Porto Alegre – RS, Recife – PE, Rio de Janeiro, Salvador – BA, São Paulo – SP.

O Programa trabalha com o empoderamento social daqueles grupos que ainda não tiveram a oportunidade de contar suas histórias e memórias através dos museus, incentivando a apropriação desse equipamento pelas comunidades, de forma que se sintam representadas. É resultado de parceria do Instituto Brasileiro de Museus – Ibram, com o Programa Mais Cultura e Cultura Viva, do Ministério da Cultura, com o Programa Nacional de Segurança com Cidadania – Pronasci, do Ministério da Justiça e com a Organização dos Estados Ibero-americanos – OEI.

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