Seminário-oficina Ibermuseus teve início em Brasília (DF)

Começou na segunda-feira (17), o I Seminário-Oficina em Gestão de Riscos ao Patrimônio Museológico, que está sendo realizado no auditório da sede do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC), em Brasília (DF). O evento reúne representantes de 22 países ibero-americanos e segue até sexta-feira (21).

Participaram da mesa de abertura (foto) o presidente do Conselho Intergovernamental do Programa Ibermuseus e do Ibram/MinC, José do Nascimento Junior, o diretor do escritório da Secretaria-Geral Ibero-americana (Segib) em Brasília, German da Rosa; as representantes da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), Cláudia Baina,  e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Patrícia Reis.   

José do Nascimento Junior foi o primeiro palestrante da manhã. Ele falou da dificuldade de se conceituar “patrimônio” para dar conta da diversidade que essa palavra engloba. Desde o sentido de pertencimento até o complexo conceito de patrimônio imaterial, passando ainda pela necessidade de se decidir o que será guardado. “Não é possível guardar tudo. No trabalho de preservação da memória também é preciso priorizar”, destacou Nascimento.

Ele lembrou da relevância do turismo para os museus, mas também da importância de se repensar as relações comerciais que são criadas a partir disso e avaliar a relação entre o impacto da visitação e a conservação do patrimônio.

Ao final da palestra, o presidente do Ibram convidou os presentes a refletirem sobre os processos educacionais relacionados ao patrimônio. “Poucos jovens estão engajados em processos de preservação. A relação deles com a memória é fluida”, enfatizou, defendendo que, no imaginário latino-americano, há uma ideia distorcida de que o novo é melhor do que o antigo. “Se o projeto de memória é importante para o processo político, temos que colocar a cultura como política de Estado e o patrimônio como algo em destaque”, concluiu.

Na abertura do seminário-oficina os participantes assistiram a outras três palestras com foco nos riscos ao patrimônio que podem ser causados por desastres naturais. O caso do terremoto de magnitude 8.8 ocorrido no Chile, em 27 de fevereiro de 2010, foi citado por todos.

A conservadora do Laboratório de Pintura do Centro Nacional de Conservação e Restauração do Chile, Ângela Benavente, ressaltou que o país já havia passado por outros terremotos e estava se preparando e aguardando um novo de grandes proporções. Apesar disso, como não havia registros de um plano para o salvamento dos bens culturais em situações anteriores, após as medidas emergenciais, foi preciso fazer um planejamento diferente para a reconstrução.

De acordo com a especialista, o lema era “salvar o salvável”. Além de visitas às instituições museais, foi montada uma rede de contatos para atualizar as informações, monitorar e avaliar o resultado das ações.

Já o especialista em gestão de riscos ao patrimônio cultural e prevenção de incêndios, Christopher Marrion (EUA), mostrou o caso de um estudo feito em um monastério da Mongólia para se evitar incêndios. Após a análise do que oferecia riscos, foram tomadas algumas medidas urgentes, como o uso de proteção para as velas e criadas normas de prevenção tanto internas quanto para os visitantes. “Analisamos de onde poderia vir o fogo, as medidas de prevenção necessárias e os procedimentos em casos de incêndio”, detalhou.

Por fim, o italiano Maurizio Indirli, especialista em proteção ao patrimônio da Agência Nacional Italiana para as Novas Tecnologias, Energia e o Meio Ambiente (Enea/Itália) mostrou os estudos realizados pelo projeto Mar Vasto, que cuidou do manejo de riscos ao patrimônio em Valparaíso, no Chile. O estudo foi feito entre 2006 e 2008 e o plano de reconstrução seguirá até 2012.

As palestras do seminário-oficina podem ser acompanhadas ao vivo, durante todas as manhãs, na página do Programa Ibermuseus. Veja a programação completa aqui.

O seminário é resultado de parceria entre o Programa Ibermuseus, a Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC) e a Casa da Cultura da América Latina da Universidade de Brasília (UnB). Conta também com o patrocínio da Fundação Getty.

Texto: Soraia Costa (Ascom/Ibram)
Fotos: Ricardo Martins

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